
Por Cláudio Pereira dos Santos, Geógrafo graduado pela Universidade Estadual do Maranhão, cartunista e membro do Partido Socialismo e Liberdade.
À medida que o imperialismo impõe sua face avassaladora aos quatro cantos do planeta destruindo culturas, saqueando povos, degradando o meio ambiente, financiando guerras, caçando direitos trabalhistas, à sua sombra avançam os ideais libertários.
Che Guevara, Karl Marx, Lênin, Trotski, Engels, Rosa Luxemburgo, mesmo depois de mortos incomodam o sono de muito burguês. Por quê? O governo imperialista dos Estados Unidos achou que matando Guevara se veria livre dele para sempre. Conseguiu?
“A história de todas as sociedades até agora tem sido a história das lutas de classe”.
Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, membro das corporações e aprendiz, em suma opressores e oprimidos, estiveram em contraposição uns aos outros e envolvidos numa luta ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta, que terminou sempre com a transformação revolucionária da sociedade inteira ou com o declínio do conjunto das classes em conflito”. ( Karl Marx, pp. 8).
No desenrolar da história, as classes opressoras quando não conseguem impor sua dominação por mecanismos ideológicos, sempre utilizam a força bruta para aniquilar aqueles indivíduos dotados de consciência que por sua indignação diante da realidade perversa, tentaram mudar a ordem estabelecida. Nem Jesus Cristo escapou a tirania dos Cesares. Quem eram os cesares? Que diferença existe entre eles e uma ditadura militar, como as que já ocorreram no Brasil? Os cesares eram nomeados pela aristocracia romana em tempos de turbulência social para manter a ordem e os privilégios dos ricos. O papel de uma ditadura no capitalismo burguês é o mesmo.
A mesma corja que financiou o nazi-facismo na Europa, ditaduras ferrenhas na América Latina e na África, hoje depois do “bem sucedido” ataque ao modelo socialista, tenta passar-se por democratas, falseando a historia. Distorcem a historia sem a mínima decência. Claro que decência não é coisa de facções que usam o Estado para satisfazer seus interesses individuais usurpando o seu próprio povo.
Perdida em antagonismos, a burguesia capitalista se ver sufocada para manter esse modelo socioeconômico avassalador sobrevivendo. Sabe a burguesia que a ordem estabelecida por ela é injusta. Mas, antes o lucro. Ela não abre mão do controle das instituições, sobre todos e quaisquer meios de informação. Seu modelo de escola liberal incita a formação individual, a competição e nunca a reflexão. Toda a informação que sai da mídia (O mais serio e conseqüente partido da burguesia) como a denominou Gramsci, é colocada de maneira a persuadir o povo de que o modelo naziliberalista que aí está é a única alternativa para o mundo, que o lucro a qualquer custo é o único capaz de satisfazer os anseios humanos. A mídia patronal, taxa de ditador e terrorista qualquer individuo ou governo que vá de encontro a esta ideologia. Jornalistas venais encarnam o espírito de seus patrões prostituindo suas mentes por uma meia dúzia de moedas ou mesmo por convicção ideológica. Os jornais querem o coro do povo.
Sem o mínimo escrúpulo, revistas de circulação nacional, lançam artigos difamando qualquer movimento social ou individuo que se destaquem na luta contra o imperialismo. Com enorme desrespeito, apostando na estupidez de seus leitores, a revista veja, braço do neoliberalismo e do imperialismo no Brasil, edita constantemente artigos com ilações a personalidades que lutaram e lutam contra a opressão imperialista. A vitima da vez foi Che Guevara. Inescrupulosamente defendendo unicamente os interesses daqueles que se preocupam ao ver estampada o busto de Guevara em camisetas de jovens espalhados pelo mundo a fora, lançou um artigo deturpando moralmente aquele que é uma das maiores referências da causa revolucionaria em todos os tempos: Ernesto Guevara de la Sierna. O conteúdo medíocre da matéria denota que os pesquisadores da veja tem péssimo conhecimento de História. As provas colhidas por ela, são fontes da CIA e a única testemunha que conseguiram é um serviçal do império iankee. Desta vez esta tendenciosa revista assinou seu atestado de óbito moral. É claro que tal meio de comunicação pertence a grupos que jamais admitirão que o PIB seja socializado. Democracia só da boca pra fora. O Socialismo incomoda bastante quem tem orgulho de classe e ama o hedonismo. Igualdade, liberdade e fraternidade só no papel, assim como são a maioria das leis burguesas.
A grande contradição dos meios de comunicação burgueses, é que ao mesmo tempo em que defendem ferrenhamente o capital, os jornais diários são um festival de barbárie que vai desde a violência urbana, tráfico de drogas, armas, prostituição até o espetáculo diário de empresários e políticos corruptos resguardados pela impunidade. Que moral tem políticos e empresários que promovem a pilhagem e a rapina da população para falar de democracia ou taxar alguém de ditador? Eles dizem que o Socialismo é uma ideologia ultrapassada, que essas pessoas não aprendem. Já chegaram a decretar o fim da historia, como se o universo tivesse congelado.
O Brasil sempre foi reduto de governos fantoches que nunca se libertaram dos resquícios coloniais e que em detrimento do próprio povo que os delega mandato, governam sempre a favor do grande capital internacional. Somos tratados como estrangeiros na própria terra que nascemos. Enquanto quem trabalha e paga impostos, clama por um mínimo de segurança, facínoras iankees vem aqui e são referendados e protegidos por todas as forças de segurança pública. As famílias camponesas brasileiras são expropriadas de suas terras e quando reagem ao saque são taxadas de bandidos. Já a grande empresa rural capitalista cria latifúndios, implanta o velho modelo exportador baseado na monocultura, devasta florestas nativas e é ovacionada e subsidiada pelo governo.
“ Os governos seja qual for matam a razão, principal instrumento de emancipação do ser humano e o reduz a imbecilidade principal condição de servidão”.(Mikail Bakunin).
A verdade é que uma corja de mal feitores que transborda de preconceito de classes e conservadorismo, jamais aceitará qualquer modelo socioeconômico alternativo que coloque o povo como prioridade. A ideologia naziliberalista apregoa que vença o melhor e que os derrotados aceitem a vitória do mais forte. Eles falam de mérito, mas toda propriedade burguesa é fruto de saques e pirataria. Vide o caso da Vale do Rio Doce, uma empresa construída as custas do suor do trabalhador brasileiro que possuía um patrimônio estimado em 90 bilhões de dólares, e fora privatizada no governo neoliberal de FHC por apenas 3,3 bilhões. As grandes empresas transnacionais financiam campanhas de governos marionetes para estes, quando assumirem o poder promoverem a política do entreguismo no seu país. Assim é fácil ostentar riqueza. Queria ver se os Estados Unidos seria capaz de manter toda sua pujança econômica sem ter que saquear povos com sua máquina mortífera de guerra ou sem promover a rapina da América Latina através do seu sistema de crédito.
Prostituição de menores, analfabetismo, milhões de pessoas vivendo na indigência e abaixo da linha de pobreza, exclusão e violência no campo e na cidade, pessoas morrendo nas portas de hospitais, desemprego em massa, medo de represália e impunidade, arrivismo, redes de TV sonegadoras de impostos que não cumprem a constituição federal, isto é o mundo capitalista real, ou capetalismo se assim preferir. Um modo de produção podre, uma ditadura disfarçada de democracia da qual a burguesia usa de todas as fragrâncias para disfarçar o mau cheiro do peixe podre que o povo já não suporta mais. Para ela é como se o mundo fosse habitado por uma meia dúzia de cidadãos que vivem com uma qualidade de vida altíssima e que podem consumir toda parafernália oferecida pelo capitalismo. Pelo contrário, milhões de pessoas caminham pela vida sem perspectiva alguma de êxito material ou intelectual. Isto é capitalismo. Quem ganha com ele? As multinacionais saqueadoras, políticos e empresários corruptos.
O velho iankee, descendente do feroz leão britânico preocupado apenas com o bem-estar social e econômico dos ricos, não mede conseqüência com seu aparato ideológico e militar para destruir e manter a “ordem” no mundo. Ele pode muito sem dúvida, mas não pode tudo, no mesmo período que financiou golpes de estado em toda a América Latina para barrar o fantasma do comunismo, debaixo das barbas do império, uma pequena nação realizou uma revolução e mesmo com toda perseguição e embargos essa pequena ilha tem dado lições ao mundo, mostrando aos céticos ignorantes e positivistas que existe saída para esse mundo corrompido.
A sessão plenária do dia 06 de agosto de 2007 foi dedicada por nossos suspeitos políticos a ataques veementes a Cuba e Fidel Castro. Claro, depois do banho que Cuba deu no Brasil no ultimo Pan-americano contrariando Rede Globo e CIA não dá pra reacionário algum ficar calado, mentir e tentar iludir o povo. Tinha filhote da ditadura elogiando Che Guevara: “Se algum dia tremeres de indignidade diante de uma injustiça seremos amigos”. Disse um sofista. Com certeza daqueles que aposta na estupidez de telespectadores desavisados.
Mais não é só no esporte que Cuba ridiculariza o Brasil. Na medicina é a mesma coisa, na educação também. Enquanto no capitalismo o curso de Medicina é reduto das classes abastardas, por lá é acessível qualquer cidadão que tenha vocação. Em Cuba o analfabetismo foi erradicado há 40 anos, aqui no Brasil sabemos como está este quadro. No Maranhão então! Mais de 5.000 anos depois da invenção da escrita, 29% da população ainda não decifra o enigma da palavra escrita por que a educação nunca é socializada. Pior, os governos fantoches daqui rezam na cartilha neoliberal privatista e fazem da educação um instrumento de exclusão e manutenção do poder. Que o diga o governador Jackson Lago que nos seus primeiros seis meses de governo deixou claro de como enxerga o fator educacional. Na educação superior brasileira quem manda é o banco mundial e o FMI não é verdade Lula? Quem vai ganhar com a reforma universitária? Aonde vai parar nossa autonomia?
Uma sociedade socialista e fraterna é possível. Se uma pequena ilha perseguida e com poucos recursos consegue vitórias em vários campos da vida social, porque um país com mais de 8,5 milhões de km² que possui uma riqueza natural gigantesca não consegue? Para tal intento é preciso libertar o povo de todas as manobras que o faz ignorante e colocar na liderança desta nação homens dignos e não quadrilhas de gatunos oportunistas.
Os saqueadores da humanidade pensaram ter enterrado o socialismo, mas ele está mais vivo do que nunca. A burguesia pode berrar, chorar, gesticular, invadir países com seus exércitos vorazes, assaltar os povos através dos seus sistemas de crédito, colocar nos seus livros e meios de comunicação todas as mentiras para cooptar corações e mentes, mesmo assim não irá conseguir deter a marcha da história. Ela pode com isso retardar, mas sucumbirá dentro de um mundo inviável dentro dos padrões projetados por ela. Nem a natureza suportou o capitalismo. E agora burgueses! Vocês vão sair por aí acusando a natureza de ditadora, guerrilheira, terrorista, comunista...? Vocês vão matá-la, como fizeram com Che Guevara, Carlos Marighela, Rosa Luxemburgo e tantos outros indivíduos que lutaram pra derrubar essa desordem instituída por vocês?
Brasileiros, não dá em hipótese alguma para aprender revolução cubana pelo fantástico da rede globo ou pela revista veja. Não dá para o pobre trabalhador adquirir consciência dos fatos por mecanismos dos mesmos homens que os exploram. É preciso fugir da alienação, recorrer a espaços alternativos de cultura e literatura. Leia o Capital, o Manifesto comunista de Karl Marx, O que Fazer? De Lênin. Reforma ou revolução de Rosa Luxemburgo. A origem da família, da propriedade privada e do estado de Engels. Leia sobre o anarquismo. Analise e compare o pensamento desses homens com o modelo de sociedade que estamos vivendo atualmente. Leia sobre o neoliberalismo defendido pela classe burguesa e veja qual pensamento está realmente mais próximo dos anseios humanos. Você é o arquiteto do seu destino não permita que instituições e revistas corruptas ditem os passos de sua vida. Elas só desejam a tua pele para ser servida num banquete de canibais burgueses.
Bibliografia
O manifesto comunista 150 anos depois: Karl Marx e Friedrich Engels / Carlo Nelson Coutinho... [et. Al.]; Daniel Aarão Reis Filho (organizador). – Rio de Janeiro: Contraponto; São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1998. 208p.
claudiopersan@msn.com