sexta-feira, 16 de novembro de 2007

ESTAMOS TODOS CONECTADOS A TUDO,



ESTAMOS TODOS CONECTADOS A TUDO,
Inclusive esta universidade, inclusive você...


Carlos Leen Santiago



Ainda não faz muito tempo: a historia do povo brasileiro tem sido uma constante de lutas por liberdade e justiça social, muito embora uma parcela significativa da população não se dê conta disso. Temos contra à nosso favor uma mídia covarde que não mede esforços para esconder e dissimular a realidade, assim o discurso oficial busca deslegitimar as lutas sociais e chamar a atenção para os “transtornos que elas causam a paz e a democracia” (sic). Foi assim com os Escravos, Canudos, Contestado e agora com o MST.
Com o fim da ditadura militar a classe dominante precisava fazer uma transição “democrática” conforme as diretrizes de Wasghinton (EUA) e para assegurar seus interesses, não permitiu de imediato eleições diretas colocando no poder presidencial um de seus principais representantes de políticas aliadas ao entreguismo , corrupção , desmandos. Finalmente em 1989 temos a volta das eleições diretas, onde o povo poderia escolher seus dirigentes para os principais cargos políticos. Isso em tese, pois novamente a mídia televisiva (leia-se Rede Globo) atrelada ate o talo com setores mais conservadores distorcem totalmente o processo eleitoral e o candidato da burguesia vence , preservando assim uma correlação de forças onde os desmandos e o aprofundamento da cultura política clientelista e o enriquecimento de uma elite política que concentra renda e poder são “os difusores da barbárie humana”.
A hedionda elite brasileira, com sua hedionda concentração da terra e injustiça social transforma um país de riquezas imensuráveis num grande atoleiro de miséria e violência contra os trabalhadores rurais sem terra que reivindicam apenas o direito inalienável de trabalhar. A paz no campo e na cidade é comprometida, pois esta só se dará através do acesso de toda a cultura, educação e trabalho. Finalmente com o governo de FHC vemos a construção dos projetos neoliberais se concretizarem, onde vários setores da burguesia se juntam para defender os interesses do capital estrangeiro e ao modelo econômico voltado para a exportação, alem das trocas de favores onde se privatiza serviços públicos, estabelecendo monopólios de grupos, imobilizando a educação e comprometendo-se o desenvolvimento regional. Todas as maiores riquezas do país são vendidas ilegalmente ou se tornam objeto do desejo de multinacionais. Isso dura dois mandatos, cerca de oito anos.
Com a eleição do próximo presidente a esperança de dias melhores se acede para todos, afinal de contas é um trabalhador que esta lá agora, e não mais politiqueiros filhos da elite, de coronéis ou representantes de oligarquias. A vitória do senhor Luis Inácio Lula da Silva representa a luta de brasileiros lutadores que foram perseguidos, torturados e mortos ao longo do século, que combateram ou combatem exploradores, escravocratas, monarcas e senhores de terras. Infelizmente, este prefere aprofundar mais ainda as reformas neoliberais e jogar sua trajetória pela lata de lixo, traindo o povo que o elegeu, e assinado em baixo tudo que “seu mestre mandar (leia-se FMI, Banco Mundial, EUA)” e nas palavras de Frei Beto “deixando que a esperança perdesse para medo...”
Essas reformas neoliberais unificam as classes dominantes agora subordinadas ao capital internacional e financeiro permitindo que setores mais dinâmicos da economia, em especial o setor financeiro e os setores exportadores vinculados as transnacionais obtenham elevadas taxas de lucros e ganhem muito dinheiro.
Só um exemplo do que isso representa para a classe trabalhadora: os serviços públicos básicos que o povo recebe do governo somam cerca de 52 bilhões; cerca de 14 bilhões para o bolsa-familia, mais 18 bilhões na Educação e outros 20 bilhões no Ministério da Saúde. Nesses dias, os jornais revelaram que os bancos brasileiros cobraram de seus correntistas (você que tem conta em banco) somente em taxas de serviços, sem contar juros, nada mais nada menos que 85 bilhões.
Agora olhe ao seu redor e pergunte a si mesmo: será que esta é a universidade ideal para meu aprendizado? Será que quando eu precisar ir Hospital serei prontamente atendido? Porque tantos têm tão pouco e alguns têm tanto?
É preciso entender que todos nos somos causa e conseqüência de fatores externos a nos mesmo, que nada acontece isoladamente hoje em dia, num mundo cada vez mais “conectado” e que é necessária a conscientização política.
Entender essa dinâmica do social é se perceber como responsável da mesma. E ser politizado e compreender que tudo o que existe foi historicamente construído pelas relações entre os homens e o meio em que vivem e que, portanto tudo o que foi produzido pelos homens pode ser desconstruido e reconstruído cotidianamente mediante relações econômico-sociais alienadas.
Já ser despolitizado é achar que as coisas são assim porque são assim mesmo, sempre foram assim e sempre assim serão. È não dar valor aos movimentos sociais e acreditar em revistas de tom duvidoso (VEJA etc.) é desacreditar principalmente em seu interlocutor menos favorecido dentro da sociedade.
Precisamos ser curiosos, precisamos ler mais, entender a realidade em que vivemos ler muito, seja qual for sua área de atuação profissional, somente assim poderemos contribuir para uma nova faze de transição, onde haverá melhor distribuição de renda e não o começo de uma barbárie, o que parece vai acontecer muito cedo, o meio ambiente já esta dando sinais que não vai suportar muito tempo à sede de dinheiro do homem.
A luta pela liberdade e pela justiça social deve ser uma luta de todos, principalmente a luta contra alienação, condição necessária para todas as lutas.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

INSEGURANÇA

charge: MILLÔR

Todos os estados brasileiros passam por um momento de total insegurança, seja nas ruas, nas escolas, nos condomínios ou nas favelas. Morar no “asfalto” não significa se isolar dos pontos de violência das periferias.
No maranhão o panorama é mais assustador. Um Estado com área superior a de muitos países, possui uma grande massa populacional de miseráveis, sem perspectivas alguma de trabalho. Em busca do pão, milhares de maranhenses migram para outras regiões ou países. Outros migram para nossas combalidas cidades, quase sempre forçados pelo próprio estado de pobreza que vive ou por causa da derrota na luta pela terra frente aos latifundiários, aumentando os bolsões de pobreza. Um tempero para a marginalidade.
A violência toma conta do estado.
Recentes números divulgados por órgãos de segurança estadual comprovam o aumento significativo do estado de “sitio” vivido pelo povo maranhense. Entre muitas causas apontadas para a elevação destes índices está: superlotação de presos nas delegacias ou nos presídios e o baixo número de policiais. Enquanto acontece às discussões dos problemas, as soluções vêm a passos lentos. Casos de esquartejamento (caso acontecido em Buriticupu), esfaqueamento, espancamento (Jerô), estupros, emasculação, são alguns dos últimos casos ocorridos no estado e são pouquíssimos os que tomam notoriedade, a grande maioria fica registrada apenas em números.
A banalização desses crimes e da violência gera o “Show Business”, a exemplo dos programas policias matutinos exibidos pelas emissoras em todas as cidades do maranhão. Em Imperatriz chega-se ao cúmulo de todas os dias se tomar café da manhã assistindo casos reais de assassinatos, esfaqueamentos, acidentes tão “frescos” e “quentes” como o pão e o café postos à mesa; com a justificativa de seus apresentadores de que estão “mostrando os fatos como eles acontecem” ou “... de olho em você”. Com pensamentos nada humanistas, alienados de ética jornalista e cultivando no subconsciente do povo que tal informação servirá de alguma forma no dia que se inicia, apresentadores, emissoras e patrocinadores incentivam a banalização desta violência, chegando mais além, a de formar opinião sobre a atuação dos trabalhadores responsáveis por conviver com esta realidade.
A segurança pública não é um caso perdido. Nós sabemos das dificuldades a serem enfrentadas por quem está no poder e quem tem que tomar as decisões para reverter o atual estado que ela se encontra. Essas soluções não serão resolvidas apenas com construções de novas prisões, aparelhamento dos órgãos de combate ao crime ou com mais policiais.
Combate ao crime e a violência tem que partir de onde é gerado, investindo em educação, cultura, construindo áreas de lazer e esporte para jovens e crianças, dando oportunidades formação profissional, geração de emprego e renda as populações desempregadas, saúde pública e realizando a socialização da terra através da reforma agrária. O Estado não pode agir de maneira fascista quando cria condições para proliferação da miséria e da violência para depois querer suprimi-los com mais violência. Eliminar os focos que levam a juventude e os homens à prática de delitos, se torna a melhor estratégia, pois deixará de gastar grandes cifras na repressão ao crime.
Não podemos esquecer da re-socialização e reeducação dos homens e mulheres que se encontram sendo submetidos a sessões diárias de torturas físicas e psicológicas nos “calabouços” que se tornaram os presídios e cadeias. A comunidade carcerária não é lembrada como cidadãos, uma por não votarem e outra por não serem “produtivos”. Políticas públicas devem ser implantadas a fim de trazer estes cidadãos ao convívio da sociedade com acompanhamento e oportunidades para que não venha ser forçado à prática de novos crimes.
O exemplo de que a repressão aos atos de violência não tem efeito prolongando basta vermos os GTA´S, GOES, FORÇA NACIONAL, grupos de elite que são meros dissipadores de violência. Isso mesmo dissipadores. Isto quer dizer que os causadores desta violência ainda se encontram no ar e passarão a agirem isolados até que haja a oportunidade de se reagruparem, alem do que, nesses grupos de elite não há inteligência nas ações, apenas “força bruta”. Combate à insegura vem com uma população confiante em sua policia e que não aceite conivente os atos de violência praticados ao seu redor.